4 de set de 2010

Nos tempos dos coronéis

Voto de cabresto

Donos de construtora paralisa obras para oferecer votos de operários à FPA

Cerca de 400 operários que prestam serviço para a construtora Adiin, nas obras do Hospital de Urgência e Emergência, Pronto Socorro de Rio Branco, Fundação Hospitalar do Acre e na quarta ponte, tiveram suas atividades interrompidas na tarde desta quinta-feira, 02, para atender um pedido do empresário Criu Pontes.

Para demonstrar força com o alto comando da Frente Popular do Acre, o proprietário da construtora mandou transportar todos os trabalhadores para a chácara Modelo, localizada na estrada do Amapá, distante 4 quilômetros da cidade em pelo menos cinco ônibus especiais, onde por mais de 2 horas e meia ouviram os discursos dos candidatos majoritários da FPA.

Um dos operários disse a este blogueiro, que o empresário Criu deixou bem claro o que aconteceria com quem se negasse a participar da reunião. “O emprego de vocês depende da eleição deles”, teria dito Criu Pontes ao final do convite feito aos operários.

O mesmo operário que pediu para não ter seu nome revelado na reportagem, disse que também fez uma ligação anônima para o Disque Denúncia do TRE [08006422226] informando sobre a reunião, mas nenhum fiscal do TRE/Acre ou Policia Federal apareceram no local para averiguar se o encontro era ou não legal.
Em conversa com dois motoristas de ônibus da empresa Floresta, disseram que passaram a tarde inteira transportando os trabalhadores da empresa Adinn até a chácara e sem perceber que estavam sendo gravados, alegaram que “ o que ta acontecendo aqui é tão somente um curral eleitoral da Adinn meu amigo. Pra mim isso não tem outro nome. Será que a justiça eleitoral não sabe nada desses encontros?” se questionavam.

Quando um dos cabos eleitorais da FPA notou a presença da nossa viatura (mesmo descaracterizada), perguntou sobre o motivo da nossa estada ali. Informamos que havíamos nos perdido e ele gentilmente nos convidou a sair da chácara e desconfiado, ainda nos seguiu num carro preto até a saída da estrada que dá acesso a Via Verde no Segundo Distrito de Rio Branco.

Salomão Matos