19 de jul de 2011

Quem disse que o crime não compensa?

Enquanto um trabalhador pai de família recebe salário mínimo de R$ 545, presidiários ganham até R$ 860 por mês enquanto permanecerem na cadeia

“O crime não compensa”, essa frase parece não ter mais o mesmo efeito, pelo menos aqui no Brasil, isso se levarmos em consideração as declarações da esposa de um traficante (nome não mencionado), mas que decidiu conversar com a nossa reportagem.

Na realidade, ser bandido no Brasil virou sinônimo de emprego fixo ou temporário e apesar do juiz ser quem determina quando o penseudo “funcionário público” terá seu contrato rescindido, cabe ao ex “servidor bandido” decidir se voltará a ser pago pelo estado ou não.

A população carcerária do Acre hoje gira em torno de 4,5 mil presos. Pela Lei de seguridade social, cada preso, enquanto estiver sob a custódia do estado recebe o beneficio carceráio de R$ 862,60(oitocentos e sessenta e dois reais e sessenta centavos), ou seja, R$ 317 a mais do que é pago ao trabalhador comum, que recebe salário mínimo de R$ 545 mensal.

Dados do ex-comandante da Policia Militar do Acre, coronel reformado Romário Célio, mais da metade dos detentos do Acre são reincidentes e cumprem pena pela segunda ou terceira vez.

Enquanto aguardam pelo fim de sua sentença, os presidiários recebebem alimentação, água de alta pureza, banho de sol uma vez por dia, além de visitas íntimas das esposas, namoradas e filhos, pelo menos duas vezes por semana.

Do lado de fora enquanto aguarda o marido sair da cadeia, a esposa de um detento [que não quis ter o nome revelado], mãe de dois filhos menores, garante que nunca passou tão bem na vida depois que o marido dela foi preso por tráfico de drogas. "Antes ele trabalhava como auxiliar de pedreiro e o dinheiro não dava nem para comer. Lá na penal, ele tá seguro,  não dá despesa em casa e ainda recebemos todo mês a quantia de R$ 860. Ele me disse que quando sair de lá e se não conseguir um emprego para ganhar ao menos igual, vai fazer de tudo para voltar para cadeia novamente”, revela.

Para o gerente executivo do Instituto Nacional de Seguridade Social no Acre- INSS, Elias Martins Evangelista, encaminhou e-mail a redação, e explicando que o benefício é Previdenciário, devido aos dependentes do segurado da previdência Social, recolhidos a prisão, durante o período em que estiver preso sob regime fechado ou semi aberto, cujo salário de contribuição seja igual ou inferior ao valor mencionado. “No Acre cerca de 300 benefícios são mantidos, ou seja, o INSS paga todo mês em torno de R$ 258.600,00 para esses presos acrianos” confirma.

Salomão Matos

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